IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL EDITH STEIN

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Fenomenologia de Edmund Husserl

Por Francisco Renaldo Costa

De maneira consciente se incorpora Edith Stein à corrente fenomenológica. Ela estava convencida de que Husserl era o filósofo de seu tempo. Em parte, desemboca neste movimento pelo desencanto que provou ao estudar a psicologia. É na fenomenologia e na sombra de seu fundador, onde Edith Stein se forma como filósofa.[1] Muitas são as vezes que saltam à vista nos relatos autobiográficos a simpatia e a satisfação da jovem universitária frente este novo modo de ver o mundo e as coisas que ele contêm. O atrativo foi grande, e o enriquecimento não será menor. Se identifica plenamente, até cair configurando seu pensamento pelo espírito fenomenológico. Se converterá em reprodução inapagável por mais que assimile com o passar do tempo outras escolas. A conversão ao catolicismo não supõe renúncia à fenomenologia. Quando em 1936, redige sua obra filosófica Endliches Und Ewiges Sein (Ser finito e Ser eterno) da cela de carmelita, recordará que sua pátria filosófica é a escola de Husserl e que sua língua materna continua sendo a dos fenomenólogos.

Dentro do movimento fenomenológico, a empatia de Edith Stein vai coincidir as contribuições sobre o mundo intersubjetivo, questão básica para superar o eterno problema do solipsismo. Sua primeira produção filosófica[2] está centrada em aplicar a redução fenomenológica a esse momento em que dois sujeitos são capazes de convergir tanto, que a vivência de um é integrada na experiência do outro. Não se trata senão do fenômeno da empatia, fenômeno que vai mais além do que o simples acordo em sintonia de criaturas – este seria o nível da simpatia -, enquanto que aquele afeta o núcleo mais íntimo da pessoa, sem querer e sentir. Esta capacidade de compreensão da experiência alheia estaria a base da sociabilidade humana. Porque podemos compreender, conviver e estabelecer relações intra-pessoais. O elemento que vincula esta experiência é a capacidade; não é o Körper, senão Leib[3].



[1] STEIN, Edith. Ser Finito y Ser Eterno. México, Fondo de Cultura Económica, 1994, p. 30.

[2] Aos três de agosto de 1916 defende sua Tese Doutoral em Filosofia na Universidade de Friburgo, tendo como orientador Edmund Husserl. Escolhera um tema exigente e não muito explorado: “ Zum Problem der Einfuhrung”( Sobre o Problema da Empatia).

[3] Na língua alemã Körper se refere ao corpo material e Leib ao corpo animado.

extraido: http://blogfilosofiaevida.com


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