IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL EDITH STEIN

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

III Congresso Brasileiro de Psicologia Ciência e Profissão

Resumo do simpósio apresentado no
III Congresso Brasileiro de Psicologia Ciência e Profissão,
ocorrido no dia 05 de setembro de 2010.
Neste evento haviam 11.000 participantes
e nessa sala estiveram presentes cerca de 50 pessoas.









Resumo: CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA DE EDITH STEIN E ÂNGELA ALES BELLO À PSICOLOGIA BRASILEIRA

EDITH STEIN, filósofa, assistente e orientanda de EDMUND HUSSERL, no período em que a fenomenologia é criada e amplamente discutida na Alemanha defende o doutorado sobre os problemas da empatia. Em seguida desenvolve trabalhos sobre a estrutura da personalidade humana. Nessas obras a relação entre fenomenologia e psicologia é muito próxima. ÂNGELA ALES BELLO, professora de história da filosofia contemporânea da Universidade Lateranense de Roma e responsável pelo Centro Italiano de Pesquisas fenomenológicas, aprofundou estudos nesses dois fenomenológos e tem vindo ao Brasil como convidada a divulgar seus achados com freqüência considerável. Seu currículo conta com 248 publicações científicas. Este simpósio busca apresentar a contribuição fenomenológica de Ângela Ales Bello à psicologia brasileira. Para tanto apresentaremos trabalhos que se referem a psico-oncologia e religiosidade a partir de reflexões da obra de Edith Stein; a encarnação da atitude fenomenológica como possibilidade de orientação ao psicólogo, de acordo com a obra de Ângela Ales Bello; e a análise crítica do ensino desta fenomenologia, da íntima relação entre psicologia, história, religião, intersubjetividade e o rigoroso fundamento que a acompanha. Assim, o objetivo é apresentar profundas e amplas contribuições da fenomenologia, retomada por Ângela Ales Bello, para a psicologia brasileira, por meio de estudos realizados a nível de pós-graduação e docência, que estão em pleno desenvolvimento em nosso país.

Autor 1: Joelma Ana Espíndula

Co-autores: Elizabeth Ranier Martins do Valle

Título: PSICO-ONCOLOGIA E RELIGIOSIDADE: CONTRIBUIÇÕES DA FENOMENOLOGIA DE STEIN PARA A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO

Financiador: FAPESP/CAPES

Instituição: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo/RP.

A proposta desta mesa redonda é mostrar aos participantes recortes da tese de doutorado, como profissionais de saúde percebem a religiosidade e a espiritualidade de seus pacientes em tratamento de câncer e como eles vivenciam a sua própria espiritualidade, no referencial de análise da fenomenologia antropológica desenvolvida por Edith Stein (fenomenóloga, estudiosa de Edmund Husserl) e interpretada por Ales Bello que buscam

compreender a essência do ser humano sob aspectos corpóreos, psíquicos e espirituais. A maioria dos profissionais de saúde se diz Espiritualista, dois são Católicos, um médico se diz Budista e uma médica Espírita. Acreditam que a religião é inerente a todo ser humano. Os convictos de suas religiões crêem na proteção divina e reconhecem a religiosidade como sustento e conforto para o paciente e seus familiares enfrentarem a situação de adoecimento. Os profissionais de saúde esperam que esses enfermos vivam a sua fé com prudência e sempre aderindo à realidade.

Autor 2: Cristiano Roque Antunes Barreira

Título: ANGELA ALES BELLO E A ENCARNAÇÃO DA ATITUDE FENOMENOLÓGICA COMO ORIENTAÇÃO AO PSICÓLOGO.

Instituição: Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto-USP/RP

A presença da fenomenologia na psicologia brasileira ganha vulto como perspectiva epistemológica com diretas incidências práticas. Há mais de dez anos, as dificuldades de apreensão e operacionalização da fenomenologia têm sido particularmente superadas pelo auxílio do pensamento da filósofa italiana Angela Ales Bello. A expressão de seu pensamento atualiza uma fenomenologia encarnada em que o rigor do processo de desobstrução intelectual ilumina os fenômenos analisados num ritmo que apreende e acompanha o tempo vivido do outro numa clara disposição empática. Esse movimento encarnado é um convite intersubjetivo que persuade pelo o que o fenômeno impõe enquanto aquilo que é. A despeito da tensão exigida, Ales Bello deliberadamente evita perder aquilo que pode ser individuado como sendo a própria essência da fenomenologia: a redução fenomenológica. Ao apreender e acompanhar o movimento do outro diante das subtrações que expõe passo a passo, o ritmo trabalhado pela filósofa distende o processo ofertando-o naquilo que tem de mais simples, a explicitação da coisa que esteja em questão. A mostração das facetas corporais, psíquicas e espirituais, entrelaçadas numa mesma unidade consciencial, impede o psicólogo de atuar omitindo sua atenção da materialidade, supervalorizando o psíquico ou descredenciando a razão e a liberdade alheia. Desse modo, pode-se considerar que a contribuição de Ales Bello para a psicologia brasileira implique um processo ativo de mediação dos psicólogos que saiba metodicamente encarnar o cuidado de si, si mesmo e si como um outro, atualizando a redução fenomenológica como processo dialógico pautado no tempo do outro revelado pela empatia.

Autor 3: Miguel Mahfoud

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais

Título: A fenomenóloga Angela Ales Bello no Brasil: rigor contra preconceito

Seguindo rigorosamente a fenomenologia clássica de Husserl e Stein, Angela Ales Bello articula as áreas da filosofia, psicologia, história e religião ao mesmo tempo que abre caminho ao acesso à estrutura humana universal que cada um pode advertir em suas vivências mais próprias. No Brasil, esse trabalho resultou no enfrentamento claro de alguns pontos fortes do preconceito intelectual que frequentemente chega a desqualificar a contribuição da fenomenologia. E o faz demonstrando sistematicamente a falta de fundamento. Apresenta o tema da historicidade, história e historiografia em relação com o mundo-da-vida (intersubjetividade e a cultura), enfrentando o preconceito de que a fenomenologia não chega a se ocupar da dimensão histórica por se voltar à apreensão de essências. A intersubjetividade apreendida como condição essencial do humano afasta a errônea concepção de que a busca da essência nos afastaria da vivência assim como se dá ao nos conduzir a uma metafísica. Na intersubjetividade, o exame da própria experiência pode revelar algo de estrutural compartilhado por todos; nela a particularidade não vem a ser abandonada no exame das experiências vivenciais compartilhadas coletivamente, examinando história, cultura e pessoa em suas inter-relações necessárias. O desenvolvimento dos temas da hilética e noética colhe o momento originário onde materialidade e significado são inseparáveis: a fenomenologia realista faz resultar superficial a crítica de abstração ou de idealismo que vez e outra acompanha o ensino de fenomenologia no Brasil.

ENVIADO POR:

Prof. Dr. Andrés Eduardo Aguirre AntúnezDocente do Departamento de Psicologia ClínicaCoordenador da Clínica Psicológica - PSCInstituto de Psicologia - Universidade de São PauloAv. Prof. Mello Moraes, 1721 - CEP 05508-030Cidade Universitária - São Paulo

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