PEREGRINAÇÃO: NOS PASSOS DE EDITH STEIN

PEREGRINAÇÃO: NOS PASSOS DE EDITH STEIN

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

NOVAS CONQUISTAS


O GRUPO DE TRABALHO EDITH STEIN NA CELEBRAÇÃO DOS SEUS QUATRO ANOS DE EXISTÊNCIA VEM COMUNICAR MAIS UMA CONQUISTA QUE NA VERDADE NOS VEIO COMO PRESENTE.

QUATRO MEMBROS DO GRUPO FORAM ACEITOS OFICIALMENTE NO "DIRETÓRIO DOS GRUPOS DE PESQUISA NO BRASIL" VINCULADO AO CNPQ.
http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=00407018KU1B4D

COMO PESQUISADORA:








Profª. Dra. Ursula Anne Matthias

COMO ESTUDANTES:







Kátia Gardênia da Silva Coelho









José Roberto de Almeida Freire









Moisés Rocha Farias


Um olhar interdisciplinar sobre a subjetividade humana.

O termo subjetividade é o denominador comum para a época da história da filosofia que se denominou chamar da filosofia moderna. A proposta de uma investigação em torno da construção de uma nova subjetividade humana é oriunda dos impasses e perspectivas do conceito de subjetividade refletido ao longo da tradição filosófica de descartes a Kant. Este antropocentrismo radical se constitui progressivamente em oposição à visão humanista atual. O homem, deus, a natureza se apresentavam como grandezas inversamente proporcionais: uma só podia crescer à custa da outra. A cultura moderna, porém optou por sacrificar o rival que via em deus, no outro e na natureza. Como conseqüências têm uma subjetividade centrada em si colocando o homem no seu desamparo existencial e relacional. É essa a única maneira de compreender o ser humano? Para apresentar um projeto alternativo a essa subjetividade lançamos mão de um procedimento epistemológico inspirado na ciência considerada a mais apta a fornecer uma explicação global do homem a partir de três pensadores atuais que se destacam neste campo metafísico, antropológico e ético: Hegel, Éric Weil, lima Vaz e Edith Stein.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PUC do Rio promove palestra sobre Edith Stein


















O Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC – Rio vai promover uma palestra sobre Edith Stein, no dia 17 de novembro. O programa inclui os temas: vida e obra de Edith Stein, o conceito de ser humano, Estado e Justiça e as semelhanças entre Simone Weil, Hannah Arendt e Edith Stein.A palestra será ministrada pela Drª. Maria Lúcia Salles Gyrão, advogada, Mestre em Direito Privado e Filosofia pela UFRJ, doutoranda em Filosofia pela UFRJ e Professora de Direito da Universidade Candido Mendes.O evento será das 19 às 21 horas, na residência João XIII, que fica na Rua Bambina, nº 155, em Botafogo. A entrada é gratuita.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

LA CIUDAD UNIVERSITARIA DE GREIFSWALD DEDICA UN COMPLEJO RESIDENCIAL A LA SANTA CARMELITA


Bendecida una estatua de Edith Stein en la iglesia carmelitana de Würzburg

Communicationes

ROMA (09-11-2009).

- El día en que se recordaba la fecha de canonización de Edith Stein y en la víspera de su 118 cumpleaños, el 11 de octubre, fue bendecida una nueva estatua de Edith Stein en la Iglesia de los Carmelitas de Würzburg por el Obispo Diocesano Dr. Friedhelm Hofmann.Se trata de una obra del escultor Paul Nagel, que muestra la Santa como una figura que avanza valientemente, que sujeta en sus manos un rollo de la Torá judia y la cruz cristiana. El autor ha querido plasmar el preciso momento, en el que después de su arresto, camino al coche de la Gestapo, debió de decir a su hermana: “Ven, vamos por nuestro pueblo”.

La obra es un vaciado de bronce, copia de la estatua de mármol de 5.45 m, que el artista hizo para un nicho de la fachada de la Iglesia de San Pedro en Roma, y que se colocó allí hace tres años.

La estatua, de 1.60 m, está colocada sobre una peana de 1.20 m con la inscripción: “Ad orientem” que es el último signo de vida de Edith Stein, cuando el 7 de agosto de 1942 fue deportada en un tren camino del campo de concentración de Auschwitz, donde fue asesinada en la cámara de gas.Greifswald contará con un residencial universitario dedicado a “Edith Stein” Dos días después, el 13 de octubre, se colocó en la ciudad universitaria de Hasen, Greifswald, la primera piedra de un parque-conjunto habitacional para estudiantes que llevará el nombre de la santa carmelita “Edith Stein”. El complejo estará dotado con más de 200 apartamentos. En el marco de esta cuidada fiesta y con ilustres invitados se brindó la oportunidad al P. Ulrich, para que presentara la figura de la santa filósofa y mártir, a quien va a ser dedicada esta construcción.

A la cabeza de los invitados se encontraba el alcalde de esta floreciente ciudad universitaria, con más de 12.000 estudiantes y alrededor de 60.000 habitantes. En los agradecimientos el alcalde expresó su alegría por la fama y el reconocimiento de un personaje tan significativo como Edith Stein.La mayoría de los invitados, alrededor de 100, quizá habrán oído por primera vez el nombre de Edith Stein. En concreto, uno de los trabajadores expresó con posterioridad, que nunca había construido una casa, que descansara sobre un solar bendecido y que fuera dedicado a una conocida personalidad.
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Fonte: Comunicationes 134 - 13/11/2009

domingo, 8 de novembro de 2009

A SOCIOLINGUÍSTICA NA FILOSOFIA DE EDITH STEIN

KÁTIA GARDÊNIA DA SILVA COELHO

ORIENTADORA: PROFª Dra URSULA ANNE MATTIAS


Introdução

A linguagem sempre mereceu atenção por parte dos filósofos. Basta citar o exemplo de Platão ao referir-se sobre a língua como instrumento que se ajusta ao objeto. A filósofa Edith Stein (1891-1942) também não ficou indiferente a essa questão muito embora não tenha se manifestado dedicadamente em uma obra específica, entretanto, encontramos vestígios na obra Ser finito y Ser Eterno sobre a possibilidade da sociolingüística na filosofia steiniana. No entanto, ousamos dizer ela perpassa com o olhar fenomenológico uma análise sobre a linguagem e seus variantes. Por isso é possível apontar essa preocupação em sua filosofia e sugerir suas possíveis contribuições.Para isso Edith Stein, o principal ponto é a análise fenomenológica das significações das palavras em uma multiplicidade de intenções sensíveis para daí extrair sua essência.Sabemos que a filósofa se fundamenta na fenomenologia de Edmund Husserl ao refletir as formas do conhecimento enquanto caráter da intencionalidade de um dado objeto e sua mediação do sentido que se aplica a palavra, ou seja, como posso refletir o significado ou o sentido das categorias ao que concerne uma conexão interna entre elas que nos seja compreensível a estrutura essencial enquanto tal.Nesse sentido, poderíamos considerar que a perspectiva de Edith Stein tem como pretensão, na medida do verossímil, enveredar no interior do campo do ser, na “vida-do-eu” e sua relação sobre as essências da experiência para uma compreensão da linguagem que possa revelar algo sobre o ser.Portanto, Edith Stein atribui centralidade na análise fenomenológica das variações lingüísticas como possibilidade de revelar algo sobre o sentido do ser ao captarmos as essências, que representam um leque de conhecimento dos nomes dos diferentes conteúdos de experiências.Entretanto, é possível falarmos da linguagem como forma de compreensão entre a filosofia do “nosso tempo”(sec.xx) e a filosofia da Idade Média em especial Tomás de Aquino em que poderiam unir-se em uma mesma corrente da filosofia perene.[1] Nessa perspectiva, a reflexão que pretendemos desenvolver nasce da pergunta sobre o problema do ser, visto que, perpassa tanto o pensar dos “antigos mestres, e não somente com eles, mas também com os que a sua maneira, voltam a ocupar-se do tema na época atual.”[2]

Queremos especificar desde já que, quando nos referimos à questão da sociolingüística na filosofia de Edith Stein, temos em mente algo de especificamente de procurar descobrir o sentido do ser, onde devemos nos colocar a problemática da sua essência. Nesse sentido a filósofa não deixa de lado o olhar fenomenológico sobre o ser humano na tentativa de compreender a essencialidade humana como um todo:através das diversas maneiras que a consciência intui os fenômenos ;e sendo assim, revela-se uma investigação entorno das múltiplas formas do refletir humano com o desejo de abarcar o sentido do ser.Por exemplo, a linguagem, o relacionar-se com o os outros, com o mundo e com Deus.Portanto, pretendemos evidenciar os vestígios sociolingüísticos no pensamento steiniano em específico na obra Ser finito y Ser Eterno.

Começaremos sob o aspecto da linguagem a cerca das dificuldades da expressão lingüística como proposta de uma abertura ao diálogo entre a filosofia da Idade Média e a nova filosofia do século xx, mas tocamos aqui na espinha dorsal da questão: como falar de um diálogo comum em meio a diferentes linguagens, e ao mesmo tempo de uma corrente de pensamento da filosofia perene? Primeiramente, precisamos encontrar a língua em que possam compreender-se mutuamente, entretanto “vivemos realmente em meio de uma confusão babilônica de línguas.” [3]

É quase impossível tratarmos de um termo em que haja uma compreensão entre si, diante do distanciamento dos términos técnicos que Santo Tomás falava com sua própria linguagem para o entendimento do filósofo atual, porém temos a questão do ser que reaparece no interior da filosofia do nosso tempo, visto que a fenomenologia de Husserl e Scheler abordam o problema do ser, depois, a filosofia da existência de Heidegger onde nos levam ao diálogo entre tais pensadores. Pois, a análise aqui proposta é justamente captar aquilo que contribua para uma maior compreensão sobre o sentido do ser.

Este processo se justifica porque a filósofa tem como pretensão de investigar e aproximar, a filosofia de Tomás e a filosofia do século xx ao enveredar na questão do ser para analisar o sentido e a possibilidade de uma filosofia cristã.Portanto, sabemos que a linguagem faz parte do ser humana e desempenha papel importante para a cultura de um povo.”As línguas se desenvolvem segundo o espírito dos povos, porque são a condensação e a expressão de sua vida; a multiplicidade dos povos e suas qualidades devem refletir-se nelas.”[4] Neste contexto, Edith Stein cita o exemplo dos gregos que criaram sua própria forma de linguagem: a filosofia sendo a marca do espírito desse povo e que ao pensarmos em filosofia temos que nos reportarmos aos gregos, dessa forma para adentrar a reflexão sobre o ser devemos buscar entrar em diálogo com os antigos mestres que está por trás destas palavras um leque de conhecimento.Com isso a autora pretende mostrar que a filosofia é um corpo de pensamento tendo por interesse a verdade total, então, se o cristianismo apresenta-se no contexto histórico, do ponto de vista da filosofia podemos analisar os dados das revelação sob o olhar da razão e extrair o estado cristão da filosofia, já que a fé representa uma abertura de horizonte como auxílio a compreensão do sentido do ser.

Desta maneira, a sociolingüística na filosofia steiniana, tem como caráter de mostrar uma investigação em torno das múltiplas formas do refletir humano através de um entendimento do que seja uma filosofia cristã tanto para os crentes quanto os não crentes, enquanto possibilidade de abertura para o absoluto, para si e para o outro.

Com efeito, podemos dizer a linguagem é parte do ser humano, ou seja, cada um de nós já nasce com ela, basta apenas vivenciá-la no meio para desenvolvê-la. Para isso, Edith Stein traz consigo uma abordagem de interpretação da linguagem não somente sobre a visão da filosofia cristã, mas deve-se incluir um olhar fenomenológico sob a linguagem para uma compreensão da estrutura essencial enquanto tal. Por exemplo: ao falar de essencialidade nos leva a compreender o sentido último nas palavras, ou seja, o que no centro de toda compreensibilidade, é justamente o que revela a compreensão e o entendimento da língua.[5] Assim Edith Stein elabora uma filosofia como um corpo de conhecimento em que ela não faz um recorte do mundo, mas visa o todo, ao investigar o ser humano em seus vários aspectos de conhecimento desvelando uma maior compreensão da realidade.

Por essa razão há de se tomar outro ponto de partida do pensamento steiniano sobre a sociolingüística ao permitir caminhar na busca do conhecimento da estrutura do ser humano capaz de mergulhar no núcleo do indivíduo, aquilo que é de mais profundo da alma no horizonte e abertura com o transcendente, com o outro(empatia) para um reconhecimento da alteridade do outro que envolve as diversas formas do expressar humano tendo como desfecho no atuar consciente na história, para uma maior participação na sociedade.



[1] .EDITH STEIN, Ser finito y Ser Eterno,ensayo de uma ascensión al sentido del ser, 1994,24.

[2].”Volver a pensar activamente junto com los antigos maestros, y no solo com ellos, sino también com los que, a su maneira, vuelven a ocuparse del tema em época actual.”Ser finito y Ser terno,29.

[3].”Vivimos realmente em médio de uma confusión babilônica de lenguas.”Ser finito y Ser Eterno,25.

[4].”Las lenguas se desarrollan según el espíritu de los pueblos, porquer son la condesación y la expresión de su vida; la multiplicidad de lo pueblos y su cualidades deben reflejarse em ellas.”Ser finito y Ser Eterno,25.

[5].Ser finito y Ser Eterno,57.


domingo, 1 de novembro de 2009

ESPECIAL- DELEGADA ENVIADA AS CONFERÊNCIAS COM ANGELA ALES BELLO EM SÃO PAULO.

Tivemos a honra de sermos convidados para participar de dois encontros de filosofia no mês de Outubro em São Paulo com a presença ilustre de Ângela Ales Bello e Ir. Jacinta Turolo Garcia que aconteceram nas instituições (USP e UNIFAI) com os temas: Edith Stein e o acolher o outro, o diferente, o estranho; A antropologia filosófica de Edith Stein e o mundo contemporâneo.

Depois de muitas correspondências por e-mail com Ir. Jacinta e Ilana Novinsky , o grande dia Chegou. Enviamos nossa delegada representando o Grupo de Trabalho Edith Stein com o apoio da Faculdade Católica de Fortaleza, a Bacharel Kátia Gardênia, que participou em São Paulo de um encontro sobre o pensamento de Edith Stein.


Nossa delegada nos falará de sua impressão dos encontros:

"O primeiro momento foi de conhecimento do andamento do grupo e sobre a possibilidade de haver o primeiro colóquio de filosofia a cerca do pensamento steiniano em Fortaleza. É com muita alegria que partilho esta oportunidade, visto que, o nosso grupo perpassa por uma nova fase de crescimento e amadurecimento na busca de ampliar seus horizontes de pesquisas sobre a filosofia steiniana e vejo isso como resultado do trabalho em equipe dos membros.

Em segundo momento, tive a graça de contemplar a simplicidade e clareza do modo como Ângela e Ir Jacinta descrevem o itinerário percorrido pela autora sobre a reflexão do olhar fenomenológico e a preocupação para uma compreensão a cerca da estrutura do ser humano partindo das vivências cotidianas como abertura para o transcendente, para o outro, ou seja, o reconhecimento da alteridade do outro sob duas vias: uma horizontal como transcendência de abertura para o ser humano e a outro no plano vertical que nos leva ao encontro com o divino como proposta de uma análise do comportamento humano.

A ênfase dada a essa temática é o estudo do paradoxo do ser humano que é ao mesmo tempo o sujeito e o objeto da pesquisa. Sujeito ativo e capaz de refletir de que é coisa e como objeto dessa pesquisa diante da dualidade: particularidade e universalidade em olhar o ser humano de dentro e de fora procurando mergulhar no núcleo do indivíduo, no elemento mais profundo onde encontramos a marca do divino. Deste modo, podemos concluir a preocupação de Edith Stein pela pessoa humana e pela a realidade que a envolve a conduz enveredar e afrontar seja diretamente ou indiretamente no universo humano pretendendo analisar a pessoa como um todo, fruto de sua preocupação política e antropológica.

Agradeço de coração em nome dos membros do grupo, a todos aqueles que nos proporcionaram seja direta ou indiretamente essa rica oportunidade de conhecimento. Que Edith Stein os retribua com sua intercessão junto ao Deus da revelação Jesus Cristo."


SESSÃO FOTOGRÁFICA:

Dependências internas da UNIFAI

Auditório atento

Ir. Jacinta Turolo Garcia

Profª Ales Bello com a Ir. Jacinta

Declaração de participação


NOSSOS SINCEROS AGRADECIMENTOS A IR. JACINTA PELO CONVITE A NÓS FEITO BEM COMO A ILANA NOVINSK PELO APOIO E INCENTIVO E DE MANEIRA ESPECIAL A FACULDADE CATÓLICA DE FORTALEZA NA PESSOA DA COORDENADORA DO DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA A PROFª. Ms. jANINE BARREIRA PELO APOIO FINANCEIRO E POR ACREDITAR NA POTENCIALIDADE DO GRUPO DE TRABALHO EDITH STEIN.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A imagem de Deus nas outras criaturas


Carlos Daniel Nascimento

A partir do conceito de forma compreendemos que esta é a fonte do sentido e da existência perfeita das criaturas. Tendo em vista esse conceito podemos perceber sua presença já nas criaturas mais inferiores e até das simples coisas materiais. Nesses graus mais baixos encontramos não uma matéria já existente, porém uma unidade composta de forma e matéria. A plenitude nesse ponto é entendida como espacial. Está sem forma, mas não inteiramente desprovida de forma, pois está passiva de recebê-la posteriormente.Convém a nós sabermos que:

Mas aqui convém prestar atenção ao que temos dito precedentemente sobre os diferentes estados possíveis do mundo criado. A natureza material, objeto de nossa experiência, não é de nenhuma maneira uma pura expressão do plano divino da criação nem um efeito puro da vontade divina; não é tampouco uma formação pura espontânea, nem uma seqüência de forças sem atritos que se ajudam mutuamente. Mas posto que seu estado real enquanto caído remite mais além de si mesmo a um estado íntegro, se concebe sua possibilidade (STEIN, 1996, p. 435).

Para percebermos de forma clara a estrutura das criaturas materiais, precisamos lembrarmo-nos dos conceitos corpo, alma e espírito. A alma é a forma além da matéria que anima um corpo físico constituído de massa, auxiliando-o no decorrer de sua evolução temporal. O corpo vivente é a massa física animada pela alma. O espírito é a essência imaterial, constituído de uma faculdade capaz de refletir e avaliar e que tem liberdade em suas ações.
Se corpo, alma e espírito são interpretados dessa forma, então podemos considerar essas criaturas materiais-corporais, que estão fora dessa evolução da vida, como criaturas não dotadas de corpo vivo, de alma, nem de espírito.

Mas, o corpo inanimado, como toda criatura, possui um sentido e é assim, no sentido amplo do termo, um produto pleno de espírito do qual se serve o espírito do criador para falar ao espírito criado. Expressando este sentido com a ajuda de sua manifestação sensível, sai de si mesmo e adquire um ser espiritual. Assim chegamos à segunda significação do corpo- alma- espírito, segundo a qual esses três termos designam as formas fundamentais do ser real: o ser psíquico designa a mobilidade flutuante que impulsiona à informação; o ser corporal expressa a posse da essência informada: o ser espiritual significa a livre emanação fora de si mesmo, a expressão ou exteriorização da essência (STEIN, 1996, p. 436)


Essa extensão do criador pode ser encontrada também nas coisas inanimadas no decurso de sua existência, e não somente nas criaturas vivas. Assim é vista a criatura tida como inanimada: elas são percebidas como extensão do criador a partir do momento que chegam a ser conforme sua essência tinha sido prevista. Isso é percebido sempre que elas têm a forma essencial expressa exteriormente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O HOMEM COMO REFLEXO DA PESSOA DIVINA

Carlos Daniel Nascimento












“Aquele cujo nome é ‘eu sou’ é o ser em pessoa” (STEIN, 1996, p.359). Apenas quem é pessoa tem o poder de criar, chamar à existência de acordo com a sua própria vontade.

Segundo a concepção de Edith Stein, o homem é imagem de Deus, e traz em si o reflexo da pessoa divina; quanto a esse reflexo, numa linguagem figurada, podemos compará-lo ao de um espelho.

É interessante que nós percebamos que esta imagem do criador se reflete em todas as coisas criadas, contudo destaca-se mais na pessoa do ser humano. O homem vai se formando à imagem de Deus num processo livre e autônomo. “A imagem dinâmica de Deus no homem vai se clarificando pelas vias do conhecimento de si mesmo e pelo desenvolvimento das possibilidades de maturação do ser.” (GARCIA, 1987, p. 60). Como vimos no primeiro capítulo, quando tratamos da influência de Santo Tomás na filosofia Steiniana, o ser divino não é totalmente diferente do ser das criaturas, nem tampouco idêntico, mas são análogos, ou seja, são parecidos, estando em proporções diferentes.

O homem traz em si uma inclinação à universalidade, uma busca pela sua plenitude, uma vez que traz em si esse reflexo de Deus, participando, portanto da divindade do seu criador.

Stein permite-nos percebermos isso na seguinte citação:

Deus criou o homem e a mulher à própria imagem e semelhança. Só quando as respectivas características masculinas e femininas são plenamente desenvolvidas, atinge-se a máxima semelhança com o divino e, só então, a comum vida terrena se torna poderosamente compenetrada pela vida divina. (STEIN apud GARCIA, 1987, p. 60).

Para evidenciarmos essa imagem do criador na criatura, podemos comparar a alma humana com as formas inferiores. Quando a vida interior particular de uma alma sensível está presente, alcançou-se um primeiro degrau da vida espiritual. Quando o espírito fica informado sobre o que acontece na alma, em sua vida psíquica, este se torna expresso de maneira plena. Portanto, fica para nós evidente que a alma humana não é somente esse vínculo entre o espírito e o corpo, mas deve ser considerada também uma criatura espiritual, não somente um produto do espírito, mas também um espírito informante, pelo fato de tornar pleno o espírito.

Quando uma vida interior particular está presente – por conseguinte, na alma animal – já se tem alcançado um primeiro grau da vida espiritual. E quando pessoalmente é informada a vida psíquica particular, a natureza do espírito está plenamente expressada: por isso, a alma humana não somente é um intermediário entre o espírito e a matéria, mas que é também uma criatura espiritual, não somente um produto do espírito mas também um espírito informante.(STEIN, 1996, p. 440).

Edith pretende demonstrar como a alma enquanto se diz matéria pode ser diferenciada das formas inferiores, e como a alma enquanto espírito pode ser diferenciada das formas superiores.

A informação do corpo e da alma se apresenta primeiro, antes do nascimento e nas primeiras fases da vida – da mesma maneira que no animal –, com sucesso involuntário. Esta informação involuntária não cessa durante a vida inteira, mas sim outra toma lugar a seu lado, lhe usurpa e ganha terreno desde o começo da educação. Enquanto intermediária entre a informação inteiramente involuntária (tal como se apresenta, por exemplo, no crescimento e no desenrolar dos membros e dos órgãos: no que chamamos processos fisiológicos) e a informação voluntária tomada no sentido do livre controle da postura e da mímica, é como se situa o costume do menino, comparável à domesticação dos animais. (STEIN, 1996, p. 441).

Para explicarmos melhor como isso acontece, tomemos o exemplo que Edith dá de uma criança. A criança, por meio do hábito familiar, adquire certos condicionamentos em relação a sua vida. Por exemplo: ela tem horas certas para sua alimentação, para dormir. Ela aprende a andar e a falar, e antes mesmo que sua razão seja despertada, ela é guiada, conduzida. Tudo isso é para dizer que a alma da criança, ainda nos primeiros momentos de sua vida, ainda vive como a alma dos animais, uma vez que não possuem a vontade formada, mas são orientadas por seus pais por meio da educação familiar. Trata-se da utilização das orientações retiradas do pensamento dos adultos que informam as crianças. A conseqüência é que o comportamento das crianças fica semelhante ao das pessoas adultas, que são livres e dotadas de razão.

Trata-se aqui de uma utilização de tendências flexíveis pela vontade informante do adulto e o resultado parece extraordinariamente semelhante ao comportamento de pessoas livres e dotadas de razão, mas na verdade não se produz, todavia nenhuma informação pessoal. (STEIN, 1996, p. 441).

Nessa fase de sua existência, elas possuem de forma mais presente o lado orgânico; por isso são comparadas aos animais, que possuem uma vida irracional, ou seja, sem o uso da razão. Podemos dizer ainda que os costumes que a criança tem, estando ainda no primeiro passo da vida espiritual, pessoal e formada, já pode ser considerada diferente da domesticação dos animais, pois na criança ainda é possível haver transformações.

A educação corporal não se dá pelos cuidados que se tem com o corpo, mas pelo encaminhamento que se dá à vontade. Por exemplo: a alegria; esta pode ser reprimida ou ser expressa artificialmente. Utilizamos esse exemplo para dizer que isto torna possível a voluntariedade do corpo. Estamos falando não só das expressões corporais, mas podemos colocar também as emoções e o domínio exterior do homem.

Podemos, portanto diante dessas precedentes informações, dizer que a formação que acontece no ser - humano não é somente uma formação corporal, mas sobretudo uma formação da alma. Então:

O homem é uma pessoa espiritual, porque está numa livre posição não somente frente a frente de seu corpo, mas também frente a frente de sua alma, e é na medida em que tem poder sobre sua alma como tem poder também sobre seu corpo. (STEIN, 1996, p. 442).

A alma, sendo tomada como totalidade, é vista como a forma essencial do corpo. Esta, enquanto sensitiva, é informada e leva em si sua forma. A essência da alma, propriedade do homem que o faz ser o que é, dá forma a suas forças e a sua vida.

O sentido é a figura final para a qual a sua essência é determinada, e isso se dá por meio de sua determinação essencial. A força pode ser chamada de potência existencial, podemos compreendê-la como aquilo que dá possibilidade à alma de ser o que ela deve ser. A força estende-se na trajetória da vida da alma. Não podemos nos esquecer de que, na alma humana, a quantidade de força também é adquirida no desenrolar da vida, uma vez que ela não está presente no ser - humano desde o seu nascimento. A vida humana é uma contínua consumação de força. Como exemplo, tomemos a luz do sol, uma bela paisagem, ou o sorriso de uma criança; essas ocasiões podem despertar na alma humana uma nova vida.

Alcançarmos com a nossa inteligência a interioridade da alma se faz necessário, se quisermos conhecer melhor o aspecto específico da alma humana.

Os sentidos constituem as portas de entrada para as coisas que caem abaixo dos sentidos. O entendimento penetra como proprietário na profundidade espacial situada mais além do campo sensível e na interioridade das coisas que não caem abaixo dos sentidos; essa interioridade é acessível por meio da exterioridade sensível. A percepção sensível, como o conhecimento intelectual, é uma unidade vivida de uma duração mais ou menos demorada. Desaparece para deixar lugar a novos sentimentos vividos. Porém ao desaparecer não perde, porém, seu conteúdo. Com efeito, o conteúdo sensível que tem sido recebido uma vez se encontra conservado na interioridade durante um tempo muito longo ou muito curto, algumas vezes também para sempre. A primeira classe de acolhida e conservação internas é feita pela memória. (STEIN, 1996, p.441).

A conservação de um fato na memória, durante algum tempo, depende do grau de intimidade a que conseguiu chegar. Por exemplo, é anunciado o assassinato do rei dos sérvios no verão de 1914. Uma primeira pessoa que escuta, continua tranquilamente sua vida e em poucos instantes começa a se preparar para uma viagem de férias. Uma segunda pessoa que escuta já se encontra profundamente transtornada pelo fato de imaginar que uma guerra estará sendo iniciada; essa pessoa fica tensa e fica até adoentada, uma vez que a notícia penetrou o íntimo do seu ser. Esses pensamentos abalam o homem por inteiro, e deixam-se mostrar facilmente na sua exterioridade. Exercem suas atividades nos órgãos corporais como as batidas do coração, a respiração, o sono e o apetite. O coração é o órgão que mais participa no que acontece no íntimo da alma, pois é nesse órgão onde se percebe claramente a conexão entre o corpo e a alma mais do que em qualquer outra parte do corpo. É nessa interioridade onde se pode captar a essência da alma.

A notícia que do exterior penetra na interioridade encontra sempre esta interioridade numa disposição determinada que experimenta a alma com um estado interior. O que entra na alma pode levar uma modificação dessa disposição: a alma se sente ameaçada em seu ser e sua reação se traduz por medo e temor, o que estranha ao mesmo tempo uma modificação do estado interior. Se antes a alma se encontrava em repouso e em paz, o que domina agora é a inquietude e a agitação, assim como uma tomada de posição dirigida para o exterior, contra o que a ameaça. (STEIN, 1996, p. 451-452).

O primeiro acontecimento que se tem é aquele que brota da interioridade psíquica e de uma resposta involuntária. Aquilo que penetra na interioridade é considerado um chamado à pessoa. Esse chamado é dirigido à sua razão, ou seja, um chamado à reflexão pela busca do sentido que se lhe apresenta. Contudo a alma precisa ter uma conduta depois de ter encontrado o sentido no que lhe foi apresentado. Por exemplo: uma pessoa está trabalhando e percebe que está acontecendo um incêndio em sua casa. Esta se vê obrigada a parar o trabalho para apagar o fogo. Se ela continuasse trabalhando, sem nada fazer, estaria portado de uma atitude irracional.

A parte mais interior da alma é considerada como a parte mais espiritual dela; e dessa parte mais interior brota a essência própria da alma.

Afinal, quanto mais concentrada está a vida do homem nesta interioridade, a mais profunda de sua alma, mais poderosa é esta irradiação que emana dele e atrai aos homens em seu seguimento. Mas neste caso, todo comportamento livre espiritual leva também mais fortemente o sinal do modo de ser pessoal que se situa na interioridade mais profunda da alma. Afinal o corpo está mais fortemente impregnado dela e se volve assim espiritualizado. Ali se encontra o verdadeiro centro do ser corporal-psíquico-espiritual. (STEIN, 1996, p.454).

Edith tentou, por meio do que foi colocado, delinear uma imagem do homem. Mais adiante, ao tratarmos das outras criaturas (inferiores), veremos que Edith Stein procurará uma semelhança das criaturas inferiores com o arquétipo divino, principalmente ao que se refere a sua forma, visto que se observarmos suas matérias, essas são opostas, pois a matéria das criaturas inferiores está no espaço-temporal e a de Deus não.

Ascendendo desde as formas inferiores às formas superiores, temos chegado à alma humana. Se a consideramos como forma do corpo, buscaremos no homem inteiro a imagem divina. Por outra parte, ela é a totalidade unitária que, enquanto realidade independente, é posta na existência. Graças à alma o todo é algo pleno de sentido e de vida. (STEIN, 1996, p.461).